22 abril, 2026

Buda seria o caminho para o Anticristo

Buda seria o caminho para o Anticristo


Autor: João Americano (João Felipe C. S.)

Quando eu penso no Buda, vem uma imagem que me incomoda profundamente, não me vem a imagem do homem sereno sentado debaixo da árvore da iluminação. É algo mais sutil e malicioso. O Cristo veio para dar vida, e vida em abundância. Veio para que o homem sentisse, amasse, errasse, chorasse e fosse encontrado no meio da sua fraqueza. Ele não nos prometeu o fim do desejo e prazer, mas a transformação Dele no amor que se entrega até o último suspiro na cruz. Já Buda ensina outra coisa, dizendo que o sofrimento nasce do desejo, que o apego é a raiz de toda dor, e que o caminho é dissolver esse desejo até que reste apenas o vazio sereno. Até que o eu desapareça. Até que não haja mais ninguém para sofrer, para amar ou para ser salvo (“Da sede nasce a dor, da sede nasce o medo; aquele que se libertou da sede não tem dor nem medo", Dhammapada, v. 216).

E eu me pergunto se não é isso que o Anticristo faria: oferecer uma paz que parece mais profunda que a cruz, mas que na verdade nos afasta dela (“E engana os que habitam na terra por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar” Apocalipse 13:14; “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz” 2 Coríntios 11:14).

Quem nunca quis, em momentos de grandes dores, simplesmente não sentir mais nada. Não desejar mais ninguém. Não carregar mais o peso de ser quem é, com todos os erros, ausências e arrependimentos. O budismo chega com uma compaixão linda, maternal, e diz: “Você não precisa de um salvador fora de você. Basta observar o desejo passar, basta treinar a mente, basta se tornar nada e abraçar o mundo.” E o homem moderno, cheio de culpa, exausto da cruz cristã que exige entrega total, aceita esse alívio como se fosse uma salvação.

Mas eu sinto que há um engano ali. Porque o Deus que eu conheço não quer me dissolver a nada. Ele não quer que eu me torne ar ou luz ou vazio. Ele quer que eu seja inteiro, mesmo ferido. Ele quer que eu continue desejando, continue amando e continue sentindo a falta Dele quando me afasto. O Buda oferece o fim do sofrimento sem precisar de sangue, sem precisar de confissão, sem precisar de um amor que se entrega até doer verdadeiramente, ele oferece iluminação sem humilhação, redenção sem um Redentor. E Jesus, ao contrário, estende as mãos perfuradas e diz que é na minha fraqueza que a Sua força se aperfeiçoa. Ele não me convida a desaparecer, mas a morrer para mim mesmo para, enfim, viver de verdade Nele. 

E é por isso que eu vejo no Buda um homem histórico com o espírito que se opõe a Cristo. Onde Jesus diz “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Buda diz que não há caminho conhecido, que a verdade pode ser pura ilusão e que a vida é algo a ser superado. Onde o Evangelho promete que o corpo será ressuscitado e o eu será restaurado em glória, o nirvana de Buda promete que o eu simplesmente deixará de existir.

Na visão islâmica, esse engano ganha o nome de Dajjal, o Falso Messias ou Messias impostor, que virá nos últimos dias apresentando-se como salvador, mas trará grandes atitudes cheias de mentiras. O Islã ensina que não há salvação sem submissão ao Único Deus, sem o Tawhid que reconhece Allah (Deus) como Criador único e sustentador de todas as coisas do mundo. O budismo, ao negar um Deus pessoal e ao colocar a iluminação nas mãos do próprio homem, toca nesse mesmo espírito de independência que o Dajjal representaria nos dias finais. Jesus, que o Islã também reverencia como um profeta que operou milagres, voltará um dia para derrotar o Dajjal.

Há beleza no que Buda falou, uma beleza que acaba por acalmar a nossa alma. Mas a escolha mais correta deve ser ficar com a ferida em estado de cuidado e não ignorá-la. Ficar com o Deus que preferiu sangrar a se sentar debaixo de uma árvore para nunca mais sentir nada, igual o mimado Sidarta Gautama, fez. 

E se um dia o Anticristo, ou o Dajjal, vier, talvez ele não venha com fúria, mas com o rosto sereno de quem ensina a não sofrer mais, multiplicando a palavra de Buda e o sinal de Paz e Amor.  

02 fevereiro, 2026

Carta JOÃO FELIPE - M.C.

 Carta - J.F. para M.C.


Autor: João Americano (João Felipe C. S.)

Quando penso nela, vem um rosto.
Meu bem surge primeiro com um sorriso perfeito, olhos castanhos que me desmontam, e logo depois com aquela voz linda, mas que falava com certa raiva para parar com as minhas piadas e, em seguida, ria delas sem perceber que ali mesmo já me perdoava antes de qualquer erro. Ela aparece viva, presente e íntima, como se nunca tivesse ido embora do meu peito.

O que eu sinto falta não é apenas dela, é do amor que existia quando ela estava aqui. Sinto falta de ser amado de um jeito que não sei explicar. De chegar em casa cansado e saber que haveria uma única ligação me esperando, ou uma mensagem curta e direta me chamando para a sua casa, que soava como um “vem descansar em mim e eu vou me descansar em ti”. Sinto falta de ligar no intervalo do almoço só para ouvir suas reclamações, seus assuntos aleatórios e excêntricos, suas pequenas infelicidades diárias, e interromper tudo de repente para dizer “eu te amo, meu bem”, ouvindo depois aquela resposta desajeitada que só ela poderia falar. Sinto falta de beijá-la quando o mundo inteiro não podia ver ou ter, de amar como jamais amei e de me sentir amado como jamais me senti.

O erro que mais dói não foi um fato isolado, foi um conjunto de ausências de minha parte. Não tomei a melhor decisão quando devia ter agido. Fui negligente nos momentos difíceis e cruel quando o certo teria sido pedir ajuda. Fui ignorante quando não fui sincero, e fui sincero quando já não sabia o que queria. Escolhi trabalhar quando deveria vê-la, escolhi dormir quando deveria amá-la. Me arrependo de não tê-la visto todo santo dia, como se o tempo fosse infinito e o amor pudesse esperar o melhor momento para ser vivido. O momento do amor é o agora.

Se ela estivesse sentada na minha frente neste instante, eu não saberia o que dizer. Talvez nem dissesse nada. Eu a amo tanto que, se depois de um simples “oi” ela pedisse para não ouvir mais a minha voz, eu ficaria ali mesmo, parado. Hipnotizado pelo som da sua respiração, pelo desenho do seu rosto, pela evidência silenciosa de que amar alguém, às vezes é aceitar não ser ouvido, mas ter o privilégio de poder ouvir e vê-la por mais um instante.

O que eu sinto hoje não é esperança. É medo. Medo de ela encontrar outro alguém enquanto eu rejeitei tantas pessoas por saber que nenhuma poderia ser como ela é. O que existe em mim agora é amor com saudade. Uma saudade que ama, um amor que teme e um sentimento que não vai mais voltar. Tenho mais medo é de esquecê-la, esquecer seus gostos, seu sorriso, sua bela voz e esquecer seu jeito tão bonito de ser.

Eu te amo, meu bem. Eu te amo...


02/02/2026

J. F. C. S. 
M. C. H. S. S.




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