Buda seria o caminho para o Anticristo
Autor: João Americano (João Felipe C. S.)
Quando eu penso no Buda, vem uma imagem que me incomoda, não me vem a imagem do homem sereno que está sentado debaixo da árvore da iluminação. É algo mais sutil e malicioso. O Cristo veio para dar vida, e vida em abundância. Veio para que o homem sentisse, amasse, errasse, chorasse e fosse encontrado no meio da sua fraqueza. Ele não nos prometeu o fim do desejo e prazer, mas a transformação Dele no amor que se entrega até o último suspiro na cruz. Já Buda ensina outra coisa, dizendo que o sofrimento nasce do desejo, que o apego é a raiz de toda dor, e que o caminho é dissolver esse desejo até que reste apenas o vazio sereno. Até que o eu desapareça. Até que não haja mais ninguém para sofrer, para amar ou para ser salvo (“Da sede nasce a dor, da sede nasce o medo; aquele que se libertou da sede não tem dor nem medo", Dhammapada, v. 216).
E eu me pergunto se não é isso que o Anticristo faria: oferecer uma paz que parece mais profunda que a cruz, mas que na verdade nos afasta dela (“E engana os que habitam na terra por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar” Apocalipse 13:14; “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz” 2 Coríntios 11:14).
Quem nunca quis, em momentos de grandes dores, simplesmente não sentir mais nada... Não desejar mais ninguém, não carregar mais o peso de ser quem é, com todos os erros, ausências e arrependimentos? O budismo chega com uma compaixão linda, maternal, e diz: “Você não precisa de um salvador fora de você. Basta observar o desejo passar, basta treinar a mente, basta se tornar nada e abraçar o mundo.” E o homem moderno, cheio de culpa, exausto da cruz cristã que exige entrega total, aceita esse alívio como se fosse uma salvação.
Mas eu sinto que há algo de errado. Porque o Deus que eu conheço não quer me dissolver a nada. Ele não quer que eu me torne ar ou luz ou vazio. Ele quer que eu seja inteiro, mesmo estando ferido. Ele quer que eu continue desejando, continue amando e continue sentindo a falta Dele quando me afasto. O Buda oferece o fim do sofrimento sem precisar de sangue, sem precisar de confissão, sem precisar de um amor que se entrega até doer verdadeiramente, ele oferece iluminação sem humilhação, redenção sem um Redentor. E Jesus, ao contrário, estende as mãos perfuradas e diz que é na minha fraqueza que a Sua força se aperfeiçoa. Ele não me convida a desaparecer, mas a morrer para mim mesmo para, enfim, viver de verdade Nele.
E é por isso que eu vejo no Buda um homem histórico com o espírito que se opõe a Cristo. Onde Jesus diz “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, Buda diz que não há caminho conhecido, que a verdade pode ser pura ilusão e que a vida é algo a ser superado. Onde o Evangelho promete que o corpo será ressuscitado e o eu será restaurado em glória, o nirvana de Buda promete que o eu simplesmente deixará de existir.
Na visão islâmica, esse engano ganha o nome de Dajjal, o Falso Messias ou Messias impostor, que virá nos últimos dias apresentando-se como salvador, mas trará grandes atitudes cheias de mentiras. O Islã ensina que não há salvação sem submissão ao Único Deus, sem o Tawhid que reconhece Allah (Deus) como Criador Único e sustentador de todas as coisas do mundo. O budismo, ao negar um Deus pessoal e ao colocar a iluminação nas mãos do próprio homem, toca nesse mesmo espírito de independência que o Dajjal representaria nos dias finais. Jesus, que o Islã também reverencia como um profeta que operou milagres, voltará um dia para derrotar o Dajjal.
Há sutil beleza no que Buda falou, uma beleza que acaba por tocar a nossa alma. Mas a escolha mais correta deve ser ficar com a ferida em estado de cuidado e não ignorá-la. Ficar com o Deus que preferiu sangrar a se sentar debaixo de uma árvore para nunca mais sentir nada, igual o Sidarta Gautama fez. E se um dia o Anticristo, o Dajjal, vier, talvez ele não venha com fúria, mas com o rosto sereno e ensinando a não sofrer mais, multiplicando a palavra semelhante de Buda e espalhando o sinal de Paz e Amor.
Referências
ALCORÃO. Português. Alcorão Sagrado. Tradução de Samir El Hayek. São Paulo: Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, 2001.
BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993.
BUDA. Dhammapada. Tradução de Carlos Alberto da Fonseca. São Paulo: Pensamento, 2000.